sábado, julho 15, 2006

Juca

Juca sempre saía de casa bem de manhãnzinha, antes do sol nascer. Ia trabalhar. Juca trabalhava em uma fábrica. Fabricavam alguma coisa bonita, não importa. O que importa é que Juca gostava de seu trabalho. Juca era meio crente, mas não ia em igrejas. Juca gostava de pensar que quando falava sozinho, falava com Deus. E falava... Como falava! Quantas vezes juca não fora surpreendido por algum estranho na rua enquanto conversava animadamente consigo mesmo. Juca sempre gargalhava dessas situações. Pra falar a verdade, juca estava quase sempre gargalhando baixinho ou sorrindo. Juca não era louco. Ao contrário, se considerava muito mais lúcido do que qualquer pessoa. Juca se considerava um artista, ainda que não dominasse forma alguma de arte. Na verdade, esta era sua definição de artista: Bom... na verdade não havia definição; Mas reconhecia um de longe. Juca dizia para seus amigos e familiares que não precisava de dinheiro pra viver. Usava sempre uma camiseta preta e jeans, dos mais simples, mas sempre muito limpos. E Juca sorria... um lindo sorriso. Juca se considerava acordado para o que o resto do mundo estava dormindo. Era disso que Juca mais ria. A única coisa que controlava Juca era seu próprio espírito. Juca não tinha muitos sonhos. Só um, que tinha certeza que iria realizar, mas naum sabia nem como, nem quando. Gostava muito de sonhar este sonho. Juca às vezes ficava triste. Mas seu primeiro pensamento era sempre: "Isto é uma fase. Isto sempre passa. Meu normal é ser feliz". Juca sabia que na verdade, não existe nem dia e nem noite, é tudo uma coisa só, tudo contínuo. Por isso não se preocupava se ia dormir tarde ou acordava cedo ou tarde. O tempo era contínuo, sempre. Juca tinha pena das pessoas que não enxergavam isso. Juca às vezes, olhava o horizonte e chorava. Tinha certeza de que a vida jamais acabaria, sentia a certeza de que tudo é eterno. Juca amava as mulheres muito, amava seus amigos muito, amava a vida muito, amava tudo muito. Juca leu em um livro uma vez, que os gregos tem quatro palavras distintas para definir amor. Isso para ele, fazia todo o sentido do mundo.